Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.
No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.
Pastor e Teólogo Luterano
Que a Paz de Cristo esteja com todos vocês. E que o Espírito Santo abra nosso entendimento para o texto bíblico de 1Co 8.1-13. Corinto, essa cidade que falamos tanto ainda hoje, ainda existe e tem cerca de 30 mil habitantes. Ainda há igrejas cristãs no local e sua história remonta à passagem de Paulo pela região. Corinto era a capital da província romana de Acaia. Era um rico centro de negócios e atraía pessoas de todo império Romano. E cidades que atraem muitas pessoas são diversificadas em suas pessoas, crenças e comportamentos. Por isso que cidades do interior, ainda hoje, costumam ser mais conservadoras e familiares, enquanto grandes centros são muito menos tradicionais e muito mais abertos a ideologias e comportamentos diversos. Era uma cidade famosa por sua arte, sua arquitetura, seus jogos atléticos e seu culto a vários deuses, especialmente a Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Esse culto era marcado pela prostituição sagrada, que consistia em oferecer relações sexuais aos devotos da deusa, como forma de adoração. O templo de Corinto tinha cerca de 1000 sacerdotisas. Paulo chegou em Corinto por volta do ano 50 d.C., depois de passar por Atenas. Naquela vez que quis falar sobre a ressurreição, mas foi impedido, no Areópago. (At 17.15-34) Ele ficou em Corinto por um ano e meio, hospedando-se na casa de Áquila e Priscila, um casal de judeus que havia sido expulso de Roma pelo imperador Cláudio. E que tinham se tornado cristãos. Ali ele trabalhava como fabricante de tendas e pregava o evangelho nas sinagogas e nas casas dos coríntios. Paulo deixou Corinto por volta do ano 52 d.C., acompanhado de Áquila e Priscila, e foi para Éfeso, na Ásia Menor. De lá, ele escreveu pelo menos quatro cartas aos coríntios, das quais duas foram preservadas no Novo Testamento: 1 Coríntios e 2 Coríntios. Nas suas cartas Paulo abordou problemas que afligiam a igreja de Corinto. Entre eles, divisões, imoralidade, idolatria, dons espirituais, casamento, ceia do Senhor, ressurreição, ofertas etc. Como bom Pastor daquele povo, expressou seu amor, sua preocupação, sua autoridade, sua defesa, sua correção e sua esperança pelos coríntios. O trecho de 1Co 8.1-13 relata um pouco desses problemas que Paulo conheceu de perto e que, de longe, por carta, quis ajudar a corrigir. E fica claro qual era o problema: “1Agora vou tratar do problema dos alimentos oferecidos aos ídolos.” E o problema era que alguns acreditavam que não podiam comer os alimentos, porque tinham sido oferecidos aos deuses e que esses deuses teriam algum poder para o bem ou para o mal. Outros acreditavam que se podia comer livremente, pois esses deuses nem existiam. Ao contrário do culto judeu, no qual o sacrifício era queimado no altar, no culto em corinto, os animais eram sacrificados e, depois, sua carne vendida nos açougues da cidade. Daí o problema em comer daquela carne. Paulo critica os críticos ao dizer: “2A pessoa que pensa que sabe alguma coisa ainda não tem a sabedoria que precisa.” Ou seja, esqueça a sabedoria humana e lembre-se que para ser sábio é preciso primeiro temer a Deus, o Senhor, como diz o salmo 111. Paulo está tratando da questão não dogmaticamente, ou teologicamente. Ele é pastor daquelas pessoas e, por amor, quer a salvação de todas elas. E por isso ele explica claramente para que ninguém fique julgando o seu irmão. “4Quanto a comer alimentos que tenham sido oferecidos aos ídolos, nós sabemos que um ídolo representa alguma coisa que realmente não existe. E sabemos que existe somente um Deus. 5Pois existem os que são chamados de “deuses”, tanto no céu como na terra, como também existem muitos “deuses” e muitos “senhores”. 6Porém para nós existe somente um Deus, o Pai e Criador de todas as coisas, para quem nós vivemos. E existe somente um Senhor, que é Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas foram criadas e por meio de quem nós existimos.” E Paulo parece alertar aos que se apressavam em julgar: “7Mas nem todos conhecem essa verdade. Existem pessoas tão acostumadas com os ídolos, que até agora comem desses alimentos, pensando que eles pertencem aos ídolos. A consciência dessas pessoas é fraca, e por isso elas se sentem impuras quando comem desses alimentos. 8Não é esta ou aquela comida que vai fazer com que Deus nos aceite. Nós não perderemos nada se não comermos e não ganharemos nada se comermos desse alimento.” Aqui está a chave: não ganhamos nem perdemos nada em comer isso ou aquilo. Se você é vegano, seja feliz, mas faça reposição vitaminas e minerais que são encontrados nas proteínas animais, se não ficará doente. Se você come carne, cuide as gorduras e outras coisas que fazem mal, se não ficará doente também. Nem sei se isso é um bom exemplo, mas acho que ajuda. O problema não está em ser vegano ou carnívoro. O problema está em achar que isso ou aquilo agrada a Deus, pois o alimento não faz diferença para Deus. E a ressalva de Paulo é muito importante, porque é um pensamento de amor pelo próximo: “9Mas tenham cuidado para que essa liberdade de vocês não faça com que os fracos na fé caiam em pecado. 10Porque, se uma pessoa que tem a consciência fraca neste assunto vir você, que tem “conhecimento”, comendo alimentos no templo de um ídolo, será que essa pessoa não vai querer também comer alimentos oferecidos aos ídolos? 11Assim este cristão fraco, este seu irmão por quem Cristo morreu, vai se perder por causa do “conhecimento” que você tem. 12Desse modo, pecando contra o seu irmão e ferindo a consciência dele, você estará pecando contra Cristo. 13Portanto, se o alimento faz com que o meu irmão peque, nunca mais vou comer carne a fim de que eu não seja a causa do pecado dele.” Paulo vai ao extremo do exemplo. Se o que eu faço, mesmo que eu tenha liberdade para fazer, fará com que meu irmão peque, não farei mais. É como se você fosse receber católicos tradicionais e devotos na Sexta-Feira Santa e fizesse um churrasco. Isso causará escândalo ao católico, então por que fazer? Não faça. Deixe para fazer o churrasco no domingo de Páscoa. Se nós pudéssemos resumir este trecho em uma palavra, seria “amor”. Por amor, vou ensinar a verdade. Por amor, vou cuidar do meu irmão. Por amor, vou respeitar enquanto ele ainda é fraco na fé. Por amor vou evitar que ele peque de consciência. Os exemplos poderiam ser muitos: baralho, cerveja e outras bebidas, comidas, dança, participação em shows e festas. Mas para encerrar, lembrando que Cristo nos libertou de todo o pecado e nos envia para uma vida de liberdade e amor ao próximo, lembrem-se de 1Co 6.12 (NAA): “Todas as coisas me são lícitas”, mas nem todas convêm.” Não é porque o cristão pode fazer, que ele deve fazer. Nosso comportamento e nossas atitudes vão refletir nossa fé em Jesus. E essa fé se apega ao amor de Jesus por nós e à certeza de que terminada esta vida aqui, desfrutaremos do banquete celestial, junto com todos os santos. Deus assim nos abençoe a vivermos nossa liberdade com responsabilidade e amor. Amém.