Pr. Jarbas Hoffimann

Próximo culto: Culto - quinta-feira, 30 de abril às 19:30

Jesus ressuscitou. Nenhuma provação pode nos destruir

Texto base: 1Pe 1.3-9

Textos do dia: Sl 105.1-7; At 2.14a, 22-32; 1Pe 1.3-9; Jo 20.19-31

Período: Páscoa

Tempo: ** 2º Domingo de Páscoa

Ocasião: Culto normal

Observação: Estes sermões foram escritos no decorrer de quase 30 anos, desde o Seminário, passando pelo pré-estágio, estágio e ministério pastoral, incluem sermões em espanhol. Mostram várias fases do desenvolvimento homilético do autor, bem como diversas situações da vida da igreja, seja nos cultos regulares, ou em eventos como congressos, entre outros. Muitos sermões no decorrer dos anos, não foram redigidos formalmente, tendo sido feitos diretamente da Bíblia, ou em tópicos, bem como sermões que foram escritos à mão e por isso não registrados digitalmente.

Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.

No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor e Teólogo Luterano

Queridos irmãos em Cristo.

Vejamos o texto de 1º Pedro. Ele foi escrito por volta do ano 65. A quase 2000 anos. E cerca de 35 anos depois da Ressureição de Jesus Cristo.

Pedro escreve para cristãos que antes eram pagãos. Eles foram alcançados pelo Espírito Santo e passaram a crer em Jesus Cristo. E Pedro escreve para lhes lembrar da vitória de Jesus Cristo. Porque eles estavam por enfrentar tempos terríveis. Porque também por volta do ano 65, o Imperador romano Nero, promoveu uma perseguição que matou muitos cristãos de forma violentíssima.

Roma era uma cidade dominada pelo pecado. O próprio apóstolo se refere a ela como Babilônia. A cidade do pecado...

É para esses cristãos que Pedro escreve. Cristãos que, como cordeiros, estavam à mercê de lobos selvagens. Cristãos convivendo diariamente com a idolatria, o pecado e com a morte batendo às portas.

É neste ínterim que Pedro escreve: “Alegrem-se por isso (pela vitória de Jesus), se bem que agora é possível que vocês fiquem tristes por algum tempo, por causa dos muitos tipos de provações que vocês estão sofrendo.” (1.6). Porém a tristeza é passageira.

Hoje, olhando pra quase dois mil anos atrás, nos é muito difícil compreender o que estas palavras realmente disseram para aquelas pessoas. Mas elas foram confortadoras. Assim como ainda hoje são confortadoras pra nós em todos os momentos.

Você passa por provações em sua vida. Todos os cristãos passam. Porém as provações jamais são castigo. Muito ao contrário, são momentos em que Deus prova nossa fé. E ele jamais nos abandona naqueles momentos. Mas no momento da dor é muito difícil não chorar. Às vezes parece que estamos abandonados. A vontade é de desistir, sentar num canto e chorar. Nos sentimos sozinhos e o tentador pode achar uma brecha pra nos enganar. Por isso Deus nos quer sempre perto dele, especialmente nos momentos difíceis.

Pedro lembra que apesar do maior perigo para a vida ser a morte, Jesus derrotou a morte e a vitória é nossa. Você calaria ao saber uma coisa dessas?

Imaginem: alguém estava condenado à morte, mas foi curado. Será que conseguiria guardar segredo disto?

Se fosse comigo eu nem esperaria chegar em casa. Já ligaria do hospital mesmo pra falar com parentes e amigos. Sairia cantando do hospital e teria uma felicidade que não pode ser contida.

E aqueles cristãos? Libertos do pecado e da morte? Que alegria! Quanta euforia pra compartilhar a fé! Porém, eles estavam correndo risco de morrer por causa da fé. Pedro lhes assegura que Cristo estava com eles, mesmo naquele momento de provação.

Graças a Deus, na maioria dos países hoje em dia não é mais crime crer em Jesus Cristo. Porém acontece outro tipo de perseguição: a perseguição do “tudo pode”. Pode ir à igreja e cometer um “pecadinho de vez em quando”. Ainda temos que ouvir: “toda religião é boa” e ainda ontem ouvi um “Pai de Santo” dizer: toda religião é boa e nós adoramos um mesmo Deus. Com palavras diferentes, com culturas diferentes, mas um mesmo Deus. Esse “Pai de santo” deu a entrevista ao lado de seu irmão que é “padre”. E a entrevista mostrava os fiéis, saindo da missa e pedindo a bênção da mãe de santo nas escadarias da própria igreja. Enquanto o repórter lembrava que Oxalá, o maior dos orixás é Jesus Cristo. Isto é obra do Diabo. Que quer enganar nas sutilezas. Como sempre fez.

Há algum tempo ouvi a seguintes frase: “O Diabo mudou de estratégia. Ele não diz mais que a religião é ruim. Ele diz que toda religião é boa. Então você pode seguir a que lhe for mais conveniente. Pode até criar uma pra si mesmo. Vivendo religiosidade pessoal.”

Somos perseguidos por falsos mestres ensinando coisas que a Palavra de Deus não diz. Somos perseguidos por pessoas que tentam impor leis que pretendem classificar o que pode e o que não pode ser lido da Bíblia. Esta lei está no nosso Congresso Nacional. E só não foi à votação porque novamente um cristão pediu vistas, o que adiou a votação.

Não somos procurados para nos matarem. Mas querem matar nossa fé. E muita gente tem deixado sua fé morrer.

Afastam-se da casa de Deus e afastam Deus de suas casas. Então esquecem textos como este: “Louvemos ao Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo! Por causa da sua grande misericórdia, ele nos deu uma nova vida pela ressurreição de Jesus Cristo. Por isso o nosso coração está cheio de uma esperança viva.” (1.3).

Não uma esperança “furada”. Mas a verdadeira esperança de que, como Jesus ressuscitou, todos os que crêem nele também ressuscitarão e entrarão na vida eterna.

Jesus ressuscitou. Nenhuma provação pode nos destruir.

Esta é a esperança viva. E que é mantida viva pelo meditar na Palavra de Deus. Pela participação na Santa Ceia. Pelo arrependimento e perdão dos pecados que Jesus dá aos fiéis.

Por causa desta esperança “esperamos possuir as ricas bênçãos que Deus guarda para o seu povo. Ele as guarda no céu, onde elas não perdem o valor e não podem se estragar, nem ser destruídas. Essas bênçãos são para vocês que, por meio da fé, são guardados pelo poder de Deus para a salvação que está pronta para ser revelada no fim dos tempos.” (1.4-5).

Como aqueles cristãos aos quais Pedro falou, nós também somos provados diariamente. As tentações nos cercam e querem nos enredar. Querem nos levar aos recônditos do Inferno. Querem nos afastar de Deus e nos derrotar eternamente.

Por outro lado, Deus está sempre à nossa procura. Quando estamos aflitos, ali está o Senhor para dizer: “Ainda que mil pessoas sejam mortas ao seu lado, e dez mil, ao seu redor, você não sofrerá nada.” (Sl 91.7). E mais, mesmo que as provações sejam dolorosas, “em todas as situações temos a vitória completa por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.37).

Se formos controlados por nossa natureza humana, seremos derrotados. Porque ela nos leva ao pecado. Ao desânimo. Ao descaso com Deus e com o próximo. Passamos a crer que nossa vida é nossa e podemos fazer o que quisermos com ela. Sem que haja conseqüências.

Porém, com o Espírito vivendo em nós, nossa vida pertence a Deus. E ele cuida muito bem de seus filhos. Mesmo que a morte se abata sobre eles, a vitória e a ressurreição estão garantidas.

Não se enganem. Sempre virão provações. Até o fim da vida. Elas podem nos deixar tristes, mas não derrotados, pois em Cristo já temos a vitória e a vida eterna. O Senhor Jesus venceu a morte, ressuscitou e vive, para que nós também vivamos.

Jesus ressuscitou. Nenhuma provação pode nos destruir. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

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