Pr. Jarbas Hoffimann

Próximo culto: Culto - quinta-feira, 30 de abril às 19:30

Da vida inútil ao amor cristão

Texto base: 1Pe 1.17-21

Textos do dia: Sl 16; At 2.14a, 36-47; 1Pe 1.17-21; Lc 24.13-35

Período: Páscoa

Tempo: 3º Domingo de Páscoa

Ocasião: Culto normal

Observação: Estes sermões foram escritos no decorrer de quase 30 anos, desde o Seminário, passando pelo pré-estágio, estágio e ministério pastoral, incluem sermões em espanhol. Mostram várias fases do desenvolvimento homilético do autor, bem como diversas situações da vida da igreja, seja nos cultos regulares, ou em eventos como congressos, entre outros. Muitos sermões no decorrer dos anos, não foram redigidos formalmente, tendo sido feitos diretamente da Bíblia, ou em tópicos, bem como sermões que foram escritos à mão e por isso não registrados digitalmente.

Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.

No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor e Teólogo Luterano

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Queridos irmãos, Deus nos salvou através de Jesus. Nos tirou do domínio da prisão do pecado, para nos colocar na liberdade do amor a Cristo e ao próximo, o cristianismo.

Como vimos na semana passada, se a nossa salvação dependesse de nós, a gente não poderia nem orar o Pai Nosso. Mas graças a Deus a nossa salvação não depende de nós. Podemos tranquilamente orar o Pai Nosso, sabendo que Jesus já nos salvou, e que por causa de Cristo, Deus ouve quando falamos com Ele. E mais, Deus quer que nós o chamemos de Pai.

¿Mas será que estamos vivendo como filhos de Deus? ¿Será que estamos vivendo como cristãos? ¿Será que deixamos de ser ignorantes, como Pedro fala no capítulo 1 versículo 14?

Deus quer que nós vivamos como cristãos.

Repito: Deus quer que nós vivamos como cristãos.

¿Onde Deus nos quer vivendo assim?

Como vemos no nosso texto, Deus quer que nós vivamos como cristãos na sua casa, na Igreja, servindo a Ele.

Os primeiros cristãos eram perseguidos por serem seguidores de Cristo. No texto que lemos a pouco, Pedro está animando os irmãos a viverem como verdadeiros cristãos, enfrentando todos os problemas que surgem por causa disso.

Como aquelas pessoas, nós também somos perseguidos por sermos cristãos, ou crentes como gostam de nos chamar. Dependendo do lugar somos motivo de piada.

Um ambiente onde regularmente se faz piadas com o cristão é a faculdade. Quem fez ou faz faculdade sabe que lá praticamente não se acredita em Cristo. Os que acreditam, normalmente são ridicularizados: “¿O que? Você é cristão? Isso já era, só sendo muito ignorante para acreditar numa besteira dessas. O homem já provou que nós viemos de um longo processo de evolução. Além disso, a vida é só aqui nesta terra, e se existir algo depois, é uma reencarnação, para que nós voltemos e vivamos melhor a nossa vida.” ¿Quem de nós ainda não ouviu uma besteira parecida com essa?

Pode acontecer também o outro extremo. Nós achamos que somos tão crentes, tão religiosos que nada vai nos atingir. Tiago 1.26 diz assim: ¿Alguém pensa que é religioso? Se não souber controlar a língua, a sua religião não vale nada, e ele está enganando a si mesmo. Isso para citar só um pecado, a difamação do próximo.

Além do preconceito, ainda ainda sofremos a influência do mundo idólatra, como os cristãos do tempo de Pedro.

A confusão daquelas pessoas era muito grande, eles se deixavam influenciar pelos Judeus, que queriam que todos seguissem as leis que Cristo já cumpriu em nosso lugar. Existiam também os Gregos com sua idolatria. Um bom exemplo dessa idolatria, podemos ver em At 14.15, quando o Apóstolo Paulo e Barnabé curaram um homem que era alejado a vida inteira. As pessoas eram tão acostumados com a idolatria, que vendo aquele milagre começaram a chamar Paulo de Júpiter e Barnabé de Mercúrio, que eram dois de seus muitos deuses. O povo queria fazer sacrifícios em homenagem a Paulo e Barnabé. Quando eles descobriram isso disseram: “Gente, ¿por que estão fazendo isto? Nós somos apenas seres humanos, como vocês! Estamos aqui anunciando a Boa-Notícia do Evangelho para que vocês deixem essas coisas que não servem para nada. Voltem para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que existe neles”. Quantas vezes nós também agimos assim!

Não eu não sou idólatra. Nós poderíamos dizer. ¿Será que não?

Quando preferimos o dinheiro à Deus, ¿quem é o nosso verdadeiro deus?

Quando preferimos a diversão à Deus, ¿quem é o nosso verdadeiro deus?

Nós somos tão pecadores, que não respeitamos Deus nem em sua casa. O velho homem faz com que nós venhamos para a Igreja só por obrigação. As vezes estamos aqui de corpo presente. Participamos da Santa Ceia sem sequer perceber a bênção que ela representa. Ouvimos o sermão achando que se aplica a todo mundo, menos a nós mesmos.

Deus nos libertou do pecado para que nós “vivamos a igreja”. Ou melhor, Ele nos libertou e quer que vivamos como cristãos. Ele nos libertou do poder do inferno, ou como nosso texto diz no versículo 18: da “vida inútil que herdamos dos antepassados”. E por isso ele pagou um altíssimo preço, a morte de seu Filho, para nós podermos chamá-lo de Pai. Se permanecermos em sua presença, nós “seremos fortalecidos e teremos felicidade” como diz o salmo lido hoje. Sentiremos nosso coração “queimar” como dito no Evangelho de Lucas. Esse “queimar” é de amor a Deus e ao próximo. A salvação que Cristo nos alcançou nunca perderá seu valor. O que Cristo fez é válido para todo sempre e para todos os que creêm em sua palavra.

Mas além viver como cristãos na na Igreja, servindo, louvando e adorando, Deus quer que nós vivamos como cristãos em outra situação:

No nosso convívio com o próximo.

Nós fomos tirados da vida inútil que tínhamos, como diz o versículo 18. Vida inútil neste texto significa uma vida sem sentido, fazendo coisas que não levam a nada, ou mesmo não sabendo o que fazer. “Apelando para Deus e para o Diabo”, como diz um dito popular.

Hoje, como no tempo de Pedro, existem muitas pessoas que não veêm sentido para a sua vida. Pessoas que mesmo tendo de tudo, nunca conseguem paz.

¿O que acontece geralmente com estas pessoas?

Como diz o ditado que nós ouvimos, elas apelam para tudo, tentando achar um rumo para sua vida. O que está muito na moda hoje é ligar para os 0900 ou 900, e encontrar solução para todos os problemas. Se esses telefonemas resolvessem a vida de alguém, ninguém mais teria problemas.

Outros apelam para a macumba. Alguém disse: “se macumba valesse alguma coisa, todo campeonato de futebol bahiano terminaria empatado”.

Deus nos libertou de todos esses pecados, dessa idolatria, da “vida inútil que vivíamos” para vivermos “em sincero amor pelos irmãos na fé”, versículo 22. Ajudando os irmãos da igreja. ¿Como se ajuda um irmão nosso? ¿Dando comida? ¿Dando dinheiro?

É claro que podemos e devemos ajudar nosso irmão nas dificuldades materiais. Mas vai muito além da ajuda material. Com a vida corrida que temos hoje, a ajuda que mais falta é a Amizade, um gesto de que nos importamos com o próximo, um cumprimento, um bom-dia, um elogio verdadeiro, um gesto de perdão, mesmo quando esse não foi pedido, orar pelos irmãos, orar com os irmãos.

Para nós termos um exemplo concreto dessa amizade e convívio cristão o Everson vai falar de sua impressão desta comunidade, já que nós estamos há bem pouco tempo com vocês. Para nós termos uma idéia de como uma pessoa que vem de fora vê a comunidade da Lapa. (Éverson fala)

Eu me sinto bem quando estou aqui. Sinto um clima de amizade muito grande, pessoas se cumprimentando como se fosse numa cidade de interior, onde todo mundo se conhece. Vejo as pessoas se importando umas com as outras. Vejo um irmão orar pelo outro e com o outro. Esse sentimento faz bem. Tão bem, que nós chegamos quase uma hora antes do culto e saímos quase uma depois, simplesmente vivendo a nossa amizade. E isso que nós já temos aqui, nós não podemos deixar que o Diabo venha tirar de nós. Pelo contrário, temos que trazer também mais pessoas para sentirem a mesma alegria. Por isso Deus quer que vivamos como cristãos amando o nosso irmão na fé, mas também amando aquele que ainda não tem a mesma fé, que está sobre o domínio desse mundo pecador.

¿Como demonstramos nosso amor ao próximo? Sempre que fazemos essa pergunta, a primeira resposta que vem à mente tem a ver com o corpo do próximo. Pensamos em dar dinheiro, comida, e outros bens. É óbvio que todos esses bens são muito importantes, mas “¿que vantagem terá alguém se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?” com disse Jesus nos três primeiros evangelhos.

Por isso tão importante quanto o lado físico do nosso próximo é o seu lado espiritual.

E para que nosso próximo chegue à fé, alguém precisa falar de Cristo para ele. ¿Quem melhor do que um filho para conhecer seu Pai? ¿Quem melhor do que nós para fazer esse serviço de testemunhar? Pode ser apenas entregar um panfleto, como os da Sociedade Bíblica. Pode ser um convite para um culto, sem medo de receber um não na cara.

Não me sinto preparado, nós diríamos. Nesta comunidade temos o Evangelismo para nos preparar para isso. Quem participa, sabe como é bom ver as pessoas dizendo que creêm no mesmo salvador que nós. Saber que nos encontraremos no céu.

Nós já temos o céu. Cristo nos deu de presente. Mas ganhar o céu e não compartilhá-lho é como ganhar uma bola e não querer jogar com os outros. Não tem graça nenhuma brincar sozinho com uma bola. Do mesmo modo, não vivemos como cristãos quando queremos o cristianismo só para nós. Quando queremos o nosso céu particular.

Deus quer que nós vivamos como cristãos.

¿Onde?

Na igreja, servindo e adorando a ele, como nós tão bem e tão bonito fazemos aqui. Pela graça que recebemos do próprio Deus, confiando nas bênçãos que ele nos prometeu.

Mas Deus também quer que vivamos como cristãos amando o nosso próximo testemunhando, ajudando. Tanto os da Igreja quanto todos os outros.

Já somos salvos. Mas convivemos diariamente com nosso velho homem, só que ele não tem mais domínio sobre nós. Cristo nos livrou.

Por isso Deus quer que agora nós vivamos como cristãos.

Servindo na igreja

Servindo em amor ao próximo. Amém

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