Pr. Jarbas Hoffimann

Próximo culto: Culto - quinta-feira, 30 de abril às 19:30

Seu coração está cheio de quê?

Texto base: Fp 4.4-13

Textos do dia: Sl 23; Is 25.6-9; Fp 4.4-13; Mt 22.1-10(11-14)

Período: Pentecostes

Tempo: 21º Domingo após Pentecostes

Ocasião: Culto normal

Observação: Estes sermões foram escritos no decorrer de quase 30 anos, desde o Seminário, passando pelo pré-estágio, estágio e ministério pastoral, incluem sermões em espanhol. Mostram várias fases do desenvolvimento homilético do autor, bem como diversas situações da vida da igreja, seja nos cultos regulares, ou em eventos como congressos, entre outros. Muitos sermões no decorrer dos anos, não foram redigidos formalmente, tendo sido feitos diretamente da Bíblia, ou em tópicos, bem como sermões que foram escritos à mão e por isso não registrados digitalmente.

Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.

No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor e Teólogo Luterano

Queridos irmãos em Cristo.

Eu não sou saudosista. Não acho que as coisas antigamente eram melhores porque eram de antigamente.

Muito pelo contrário, na maioria das coisas estamos melhores hoje: medicina, tecnologia, transporte, acesso a bens de consumo, ensino, e muito mais.

Mas muita coisa também mudou para pior.

Enquanto a tecnologia evolui, regredimos no convívio fraterno, no amor ao próximo, na pureza da mente e em muitas outras coisas que dizem respeito ao comportamento humano.

O ser humano está perdendo a noção do certo e do errado. E indo com a maioria...

Para seguir o conselho do apóstolo Paulo aos Filipenses, precisamos lembrar o que é certo e o que é errado. Pois estamos nos acostumando com o erro, como se tudo fosse normal.

O alerta de Paulo aos Romanos não era em vão. Disse ele no capítulo 12, versículo 2: “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo.”

Por ignorar este alerta, às vezes, a impressão que se tem é que não existe diferença entre o cristão e o não cristão, pois o comportamento é o mesmo.

E não estamos falando da roupa, do tamanho do cabelo ou de coisas externas, mas daquilo que vem do coração humano. Como nos lembra Jesus:

“a boca fala do que o coração está cheio.”

E aí a pergunta importante:

Seu coração está cheio de quê?

Vejamos Filipenses 4.8: “encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente.”

Aqui, mesmo não sendo saudosistas, precisamos relembrar “o antigamente”. Quando o namoro era decente. Aliás, quando se namorava... E não se trocava de parceiro como de roupa.

Precisamos lembrar de como era quando as pessoas respeitavam umas às outras. Quando os mais novos se levantavam para dar lugar aos idosos. Quando todo mundo mais velho que eu era senhor e senhora e não “e aí tio!”

Antes as pessoas pensavam em casar para honrar o outro. Hoje parte-se para o casamento num mar de dúvidas e se justifica: “se não der certo, a gente separa”. Isso quando se casam.

Alguém pode dizer que estas coisas não provam nada. Mas mostram como estamos perdendo a noção de certo e de errado. Mostram como o respeito está caindo em desuso. Mostram que a família está cheia de pessoas que só pensam em si. E se as famílias vão mal, a sociedade vai mal.

Seu coração está cheio do quê?

Ou como perguntaria o apóstolo Paulo aos Filipenses:

Sua mente está cheia do quê?

De louvores e ações de graças como recomenda o apóstolo: “orem sempre com o coração agradecido”? Ou de palavrões e músicas horríveis?

Sua mente está cheia do quê?

De amor ao próximo? Ou de raiva e desejo de vingança?

De compaixão ou de desprezo?

Da Palavra de Deus ou de textos que degradam?

Somos atacados por todos os lados. E isso já foi advertido pelo Senhor e por seus discípulos:

“Cuidado com os falsos profetas! Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos selvagens.” (Mateus 7.15) E ainda: “Estejam alertas e fiquem vigiando porque o inimigo de vocês, o Diabo, anda por aí como um leão que ruge, procurando alguém para devorar.” (1Pedro 5.8)

São só alguns dos alertas para o mundo à nossa volta. Um mundo que enche nossa mente de coisas e desejos que desagradam a Deus e que levam à condenação.

Poderíamos dar muitos exemplos de pessoas que são más e ensinam coisas más. Poderíamos ficar horas falando dos problemas da internet, do rádio, televisão e outros meios de comunicação. Mas nós sabemos bem aquilo que quer nos afastar de Deus.

Em vez de trazer um exemplo ruim, permitam-me dar um exemplo de uma mente cheia de coisas boas.

No Estado do Paraná, numa cidade do interior, que não me recordo o nome, havia um senhor que acabou chamando a atenção por suas ações.

Ele era conhecido porque parava todas as crianças que encontrava pela calçada.

Interessante notar que poucas pessoas podem dizer com certeza o nome daquele homem (João, Antônio, Gustavo...). Mas sua história se tornou conhecida. E ela é repassada adiante:

Ele parava as crianças, as olhava e perguntava:

—Posso orar por você, amiguinho?

Alguém que não o conhecesse estranharia a atitude, mas a maioria das pessoas sabia que ele faria uma breve oração e despediria a criança e quem estivesse com ela, lhes desejando bênçãos.

O que é que esta história, real, tem para nos ensinar?

Na atitude daquele cristão vemos do que a sua mente estava cheia. Estava cheia de desejo pela felicidade do próximo. A ponto de se dedicar à oração pelos outros.

Alguém poderia dizer que se ele quisesse mesmo orar pelas pessoas, não precisaria pará-las no meio da rua. E é verdade. Mas com o parar para orar ele mostrava a importância da confiança em Deus para aquelas crianças e quem estivesse com elas.

A mente daquele senhor estava cheia de desejos de bondade para o próximo.

A sua mente está cheia do quê?

Quais os programas que você assiste? Quais as palavras que saem da sua boca? De bênção ou maldição? Quais as músicas que você canta e ouve?

Não é pra você cantar só músicas de igreja. O que não seria ruim. Mas encha sua vida de coisas boas, agradáveis, honradas e honestas.

Encham a cabeça com a Palavra de Deus e com seu amor, assim: “a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.”

E aqui está a chave para uma mente cheia de coisas boas: Jesus Cristo. É por meio de Jesus que somos salvos. É por ser amados por Deus que somos motivados a amar o próximo.

É por saber que Jesus nos garante a vida eterna, que nós compartilhamos o Evangelho com todos, para que todos venham a conhecer a verdade e sejam salvos.

A Palavra de Deus nos enche de coisas boas. Perto de Jesus temos coisas boas pra compartilhar. Perto de Jesus, temos vida plena. Perto de Jesus. Estamos salvos. Amém.

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