Pr. Jarbas Hoffimann

Próximo culto: Culto - quinta-feira, 30 de abril às 19:30

Quem não quer ser cidadão do céu?

Texto base: Fp 3.12-21

Textos do dia: Sl 118.19-24; Is 5.1-7; Fp 3.12-21; Mt 21.33-43

Período: Pentecostes

Tempo: 20º Domingo após Pentecostes

Ocasião: Culto normal

Observação: Estes sermões foram escritos no decorrer de quase 30 anos, desde o Seminário, passando pelo pré-estágio, estágio e ministério pastoral, incluem sermões em espanhol. Mostram várias fases do desenvolvimento homilético do autor, bem como diversas situações da vida da igreja, seja nos cultos regulares, ou em eventos como congressos, entre outros. Muitos sermões no decorrer dos anos, não foram redigidos formalmente, tendo sido feitos diretamente da Bíblia, ou em tópicos, bem como sermões que foram escritos à mão e por isso não registrados digitalmente.

Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.

No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor e Teólogo Luterano

Queridos irmãos em Cristo.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos Filipenses, diz: “nós somos cidadãos do céu” (Fp 3.20). Assim ele se sentia, mesmo que humanamente falando ele era cidadão romano. Como registra o livro de Atos, capítulo 22, versículo 27:

“Então o comandante foi falar com Paulo e perguntou:

– Me diga uma coisa: você é mesmo cidadão romano?

– Sou! – respondeu Paulo.”

Além disso, era judeu. Tinha dupla cidadania. Ou melhor, como está registrado em Filipenses, tinha tripla cidadania. E para ele é óbvio o que era mais importante:

“nós somos cidadãos do céu”.

Nós cristãos somos cidadãos deste mundo, como todos os outros. Mas, em Cristo, também somos cidadãos do céu.

Paulo, ao lembrar isto, quer incentivar os cristãos de Filipos e todos os cristãos do mundo a não desistissem da vida em Cristo.

Ele usa, inclusive, a si mesmo como exemplo, para encorajar os irmãos a continuarem firmes. Diz o apóstolo:

*“**12**Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado por Cristo Jesus. **13**É claro, irmãos, que eu não penso que já consegui isso. Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente. **14*Corro direto para a linha de chegada a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus.” (Fp 3.12-14)

“Somos cidadãos do céus”.

Esta é uma notícia ótima. Não temos dúvida sobre qual o país vamos habitar depois desta vida. Habitaremos os céus. Com Cristo e todos que crerem no Salvador.

Habitaremos na glória de Deus Pai. Assim como ele prometeu.

Pode ser que alguém pense que Paulo está dizendo para nós fazermos a nossa parte, para alcançar a Salvação. Mas não é isso que ele está dizendo aos Filipenses. Não é isso que ele está dizendo pra nós hoje.

Ele lembra que, por causa de Cristo, nós fomos tornados cidadãos do céu. E exorta para que permaneçamos neste caminho até o fim. Correndo a corrida que temos à nossa frente. Até o dia de receber o prêmio, já conquistado por Jesus Cristo.

Paulo alerta que os problemas do dia a dia vão querer nos desanimar. Lembra que o inimigo vai tentar nos enganar por meio de promessas falsas e de felicidade rápida e sem valor.

Paulo também exorta que as pessoas que foram tornadas cidadãs dos céus vivam como tal:

*“**18**Já disse isto muitas vezes e agora repito, chorando: existem muitos que, pela sua maneira de viver, se tornam inimigos da mensagem da morte de Cristo na cruz. **19*Eles vão para a destruição no inferno porque o deus deles são os desejos do corpo. Eles têm orgulho daquilo que devia ser uma vergonha para eles e pensam somente nas coisas que são deste mundo.” (Fp 3.18-19).

Notem a gravidade. Entre os que eram conhecidos como “cidadãos dos céus” existiam “cidadãos do inferno”.

Muitos certamente nem achavam que sua situação estava errada. Mas pelo seu modo de agir estavam se tornando inimigos da mensagem de Jesus Cristo.

O que nos torna inimigos de Cristo?

Tudo o que nos afasta dele, como lembra o apóstolo, na primeira carta que escreveu aos Coríntios: Capítulo 6, versículos 9 e 10:

*“**9**Vocês sabem que os maus não terão parte no Reino de Deus. Não se enganem, pois os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais, **10*os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes não terão parte no Reino de Deus.”

E antes que nós possamos nos desculpar, dizendo, mas eu não fiz e nem faço estas coisas, o Senhor nos lembra:

*“**21**Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não mate. Quem matar será julgado.’ **22*Mas eu lhes digo que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será julgado.” (Mt 5.21-22)

E ser julgado, aqui, não abre margem para a inocência. Quem for julgado, já está condenado.

Ainda, também em Mateus 5, diz o Senhor:

*“27– Vocês ouviram o que foi dito: “Não cometa adultério.” **28*Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração.” (Mt 5.27-28).

Mesmo que na prática não tenhamos matado ninguém, se guardamos ira, já o matamos em nosso coração. Mesmo que não falemos mal dos outros, se pensamos, já pecamos contra o oitavo mandamento. Mesmo que não roubemos, se não devolvemos o troco que recebemos a mais, já roubamos.

Por todos estes motivos o alerta do apóstolo:

há pessoas que, se dizendo cidadãos dos céus, não fazem mais do que profanar o nome de Cristo com o seu modo de agir.

Isso não aconteceu fora da igreja, muito pelo contrário, é aqui dentro onde surge esta atitude. Às vezes motivada por ciúmes, por inveja, por desejo tolo de aparecer. Enfim, por tudo aquilo que atrapalha o Evangelho de Jesus.

Precisamos olhar pra Cristo e seguir em frente. Rumo à vitória final. Lá onde Jesus já nos espera.

Quem não quer ser cidadão do céu? Só alguém que não sabe o que o espera lá. E se alguém não sabe, precisamos ensinar e avisar. Sendo imitadores do Apóstolo, que diz:

*“**17*Meus irmãos, continuem a ser meus imitadores. E olhem com atenção também os que vivem de acordo com o exemplo que temos dado a vocês.” (Fp 3.17)

Imitar o apóstolo significa colocar o Senhor em primeiro lugar. Significa ser humilde debaixo da poderosa mão de Deus. Significa crer em Deus acima de todas as coisas. Significa não somente ofertar alguma coisa, mas toda a vida ao Senhor.

Significa que, apesar das aparências, Deus sempre continua guiando nossas vidas.

Assim imitamos Paulo.

Assim continuamos “cidadãos dos céus”.

Porque o Senhor Jesus veio a este mundo e cumpriu sua tarefa até o fim. Ele foi humilde até a morte e morreu por todos os pecadores. Todos aqueles que crêem em Jesus serão salvos.

Somos cidadãos dos céus. Nos resta, com alegria, esperar o dia de carimbar o passaporte e entrar na glória eterna, que Deus tem preparado para todos que crêem em Jesus.

Até lá, que nossa vida reflita não as tristezas de cidadãos do mundo, mas a alegria de cidadãos dos céus. Pois Cristo está conosco.

Amém.

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