Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.
No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.
Pastor e Teólogo Luterano
Graça e paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Amados em Cristo,
Amanhã é Domingo de Ramos e é o dia em que lembramos a entrada de Jesus em Jerusalém.
O povo o recebe com alegria, com ramos nas mãos, proclamando louvores. Eles esperavam um rei forte, vitorioso, alguém que viesse para libertar o povo de forma visível e imediata.
Mas o que eles não compreendiam ainda era o tipo de rei que Jesus é.
E é exatamente isso que o apóstolo Paulo nos ajuda a enxergar, quando escreve aos filipenses. Ele nos convida a olhar para Cristo, não apenas como alguém a ser admirado, mas como alguém que revela o amor de Deus e, por sua vitória sobre o pecado, molda a nossa vida.
Ele diz: “Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha”.
Ou seja, não se trata apenas de conhecer Jesus. Saber quem Jesus é, até o diabo sabe e fez de tudo para tentar derrota-lo. Crer em Jesus é viver uma nova vida com Cristo.
Então Paulo começa a descrever algo impressionante.
Ele diz que Cristo, sendo Deus, não se apegou aos seus direitos divinos. Ele não insistiu em permanecer na sua glória. Pelo contrário, abriu mão de tudo.
Isso não significa que Jesus deixou de ser Deus. Mas significa que ele voluntariamente se humilhou. Ele assumiu a condição de servo. Ele entrou na nossa realidade. Ele viveu como nós.
O Deus eterno se fez homem.
Como está escrito também em outro lugar: “O Verbo se fez carne e morou entre nós”.
E mais do que isso: ele não apenas viveu entre nós, ele se colocou abaixo de nós. Ele serviu. Ele sofreu. Ele foi rejeitado.
O profeta Isaías já havia descrito isso: um homem desprezado, rejeitado, familiarizado com a dor.
Então Paulo nos conduz ao ponto mais profundo dessa humilhação:
“Ele foi obediente até a morte, morte de cruz”.
Aqui está o centro de tudo.
Jesus não morreu por acidente. Ele não foi vítima de circunstâncias. Ele foi obediente.
Obediente ao Pai.
Obediente até o fim.
Obediente por nós.
Aquilo que nós não conseguimos fazer, ele fez perfeitamente.
Onde nós falhamos, ele permaneceu fiel.
A sua obediência não foi apenas um exemplo. Foi uma obra em nosso favor.
Como diz a Escritura: “Assim como muitos foram feitos pecadores pela desobediência de um só homem, assim também muitos serão feitos justos pela obediência de um só”.
Cristo tomou o nosso lugar.
Isso é centro de nossa fé.
E lembramos que a salvação não depende do que nós fazemos por Deus, mas de tudo aquilo que Deus fez e ainda faz por nós.
Depois da humilhação, vem a exaltação.
Paulo diz que Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome.
Aquele que entrou em Jerusalém montado num jumento, em humildade, é o mesmo que agora reina sobre todas as coisas.
Aquele que foi rejeitado, agora é Senhor.
Aquele que foi crucificado, agora é exaltado.
E o texto termina com uma afirmação solene: um dia, todos irão se ajoelhar diante dele.
E todos irão confessar que Jesus Cristo é o Senhor.
Alguns fazem isso hoje, pela fé.
Outros farão isso no último dia. Pois mesmo que não tenham fé, terão que reconhecer o Salvador vitorioso.
Para os que vivem e viveram em fé, haverá a salvação. Para os outros, a condenação.
E aqui está o convite para nós hoje.
Neste Domingo de Ramos, não somos apenas espectadores daquela entrada em Jerusalém.
Somos chamados a reconhecer quem é esse Rei.
Ele não veio para dominar pela força.
Ele veio para salvar pela entrega.
Ele não veio para ser servido.
Ele veio para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
E agora, ele nos chama a segui-lo.
A viver com a mesma disposição.
Com humildade.
Com confiança em Deus.
Com fé naquele que se entregou por nós.
Porque, no fim, o caminho de Cristo não termina na cruz.
Ele passa pela cruz, mas termina na glória.
E essa é a nossa esperança também. Por causa da Cruz de Cristo, pela fé, receberemos a coroa da vida Eterna. Amém.