Pr. Jarbas Hoffimann

Próximo culto: Culto - quinta-feira, 30 de abril às 19:30

O futuro está nas mãos de Deus

Texto base: Gl 4.4-7

Textos do dia: Sl 111; Is 63.7-9; Gl 4.4-7; Mt 2.13-15, 19-23

Período: Natal

Tempo: 1º Domingo após o Natal

Ocasião: Culto normal

Observação: Estes sermões foram escritos no decorrer de quase 30 anos, desde o Seminário, passando pelo pré-estágio, estágio e ministério pastoral, incluem sermões em espanhol. Mostram várias fases do desenvolvimento homilético do autor, bem como diversas situações da vida da igreja, seja nos cultos regulares, ou em eventos como congressos, entre outros. Muitos sermões no decorrer dos anos, não foram redigidos formalmente, tendo sido feitos diretamente da Bíblia, ou em tópicos, bem como sermões que foram escritos à mão e por isso não registrados digitalmente.

Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.

No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor e Teólogo Luterano

Queridos irmãos em Cristo,

a graça e a paz de Deus nosso Pai e de nosso Senhor Jesus Cristo estejam convosco. Amém.

O tema que meditamos hoje é: “O futuro está nas mãos de Deus”.

Vivemos em um tempo marcado pela ansiedade. As pessoas querem saber o que vai acontecer amanhã. Querem segurança, previsibilidade, controle. Não é difícil perceber isso. Muitos recorrem a previsões, horóscopos, consultas espirituais, tentativas de decifrar o futuro. Outros confiam em planejamentos rigorosos, seguros financeiros, estratégias de vida. Mas, no fundo, a pergunta continua a mesma: como será o amanhã?

A Palavra de Deus nos mostra que essa inquietação não é nova. O próprio Senhor Jesus disse em Mateus 6.34: “Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.”

Aqui já vemos a Lei nos confrontando. Nós nos inquietamos. Queremos controlar aquilo que não está em nossas mãos. Muitas vezes vivemos como se tudo dependesse de nós. Outras vezes buscamos segurança em coisas que não são Deus. E isso revela um problema mais profundo: falta de confiança no Senhor.

Tiago também nos adverte em Tiago 4.13-14: “Atendei agora, vós que dizeis: hoje ou amanhã iremos para tal cidade... e nada sabeis do que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.”

A Lei de Deus nos mostra nossa limitação. Não controlamos o futuro. Não garantimos sequer o próximo dia. E mais ainda: por causa do pecado, nosso coração naturalmente se inclina à preocupação, à incredulidade e ao medo.

Mas onde a Lei revela nossa fraqueza, o Evangelho nos traz consolo.

A Escritura não nos deixa na incerteza. Ela nos aponta para aquele que está acima do tempo e da história. O Salmo 31.15 declara: “Nas tuas mãos estão os meus dias.”

E em Provérbios 19.21 lemos: “Muitos são os planos no coração do homem, mas o propósito do Senhor prevalecerá.”

Isso muda completamente a perspectiva do cristão. O futuro não está entregue ao acaso, nem à sorte, nem a forças desconhecidas. O futuro está nas mãos de Deus, o Criador, que governa todas as coisas.

E quem é esse Deus? Ele não é um poder distante. Ele é o Deus que se revelou em Jesus Cristo.

Em Gálatas 4.4-5 está escrito: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”

Percebam: Deus age no tempo certo. Ele não apenas controla a história, mas entra nela. No momento exato, enviou Jesus Cristo para realizar a nossa salvação.

Cristo veio, viveu sob a Lei, cumpriu perfeitamente tudo o que nós falhamos em cumprir e, na cruz, levou sobre si todos os nossos pecados — inclusive nossa ansiedade, nossa incredulidade e nossa tentativa de viver sem Deus. E na sua ressurreição, Ele venceu a morte e nos deu uma nova vida.

Por isso o texto continua em Gálatas 4.6-7: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus.”

Aqui está o coração do Evangelho: em Cristo, nós não somos abandonados ao futuro. Somos filhos de Deus.

E isso muda tudo.

O cristão não diz “que seja o que Deus quiser” com resignação vazia. Ele confessa com fé: “Seja feita a tua vontade”, como aprendemos na oração do Senhor (Mt 6.10). Isso não é desespero, mas confiança.

Pois sabemos, como diz Romanos 8.28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”

Note bem: não diz que todas as coisas são boas, mas que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem. Mesmo o sofrimento, mesmo as dificuldades, mesmo aquilo que não entendemos — Deus usa tudo para conduzir seus filhos.

Isso não significa que sempre compreenderemos os caminhos de Deus. Isaías 55.8-9 nos lembra: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos... assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos.”

Mas significa que podemos confiar.

E essa confiança se expressa na vida prática.

Confiamos quando oramos, entregando nossas preocupações a Deus, como nos ensina 1 Pedro 5.7: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”

Confiamos quando buscamos primeiro o Reino de Deus, como diz Mateus 6.33, crendo que Ele cuidará do restante.

Confiamos quando ouvimos a Palavra, participamos da vida da igreja, vivemos em arrependimento e fé.

Confiamos não porque sabemos o futuro, mas porque conhecemos aquele que segura o futuro.

Queridos irmãos,

não sabemos como será o amanhã. Não sabemos o que enfrentaremos. Mas sabemos quem está conosco.

E mais do que isso: sabemos qual é o nosso futuro final.

Jesus disse em João 14.2-3: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar... e voltarei e vos receberei para mim mesmo.”

Este é o futuro certo do cristão: vida eterna com Deus.

Portanto, vivamos hoje com confiança. O amanhã não está nas nossas mãos, mas está nas mãos daquele que nos criou, nos redimiu e nos chamou de filhos.

E essas mãos são mãos marcadas pelos cravos da cruz.

Em nome de Jesus. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

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