Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.
No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.
Pastor e Teólogo Luterano
Queridos irmãos e irmãs em Cristo.
O texto que lemos hoje faz parte da pregação do apóstolo Pedro na casa de Cornélio.
Cornélio era um centurião romano que foi mandado para Cesareia. Lá ele conheceu o Antigo Testamento e conheceu também o Deus verdadeiro e suas promessas.
Cornélio via sua fé em cada momento de sua vida. Ele tratava bem seus subordinados, fazia caridade e estava em constante oração. Sua vida era uma oração a Deus.
Então Deus lhe envia Pedro para falar dos cumprimentos das promessas de Deus.
Mas Pedro, ainda preconceituoso, achava que Jesus tinha vindo apenas para os judeus e não queria ir à casa de Cornélio. Então Deus lhe dá uma visão e o convence a ir até Cornélio. Ao chegar e fazer sua pregação, o Espírito Santo é derramado sobre todos. E então Pedro diz: “Agora eu sei que, de fato, Deus trata a todos de modo igual, pois ele aceita todos os que o temem e fazem o que é direito, seja qual for a sua raça.” (34-35).
É assim que Deus aceita as pessoas. Assim que Deus aceita a você e a mim. Não por nossa raça, ou pelo local onde nascemos. Não pelo jeito que falamos, ou pelo time que torcemos.
Deus aceita todos que o temem.
O que é temer a Deus?
O ser humano natural não tem noção de Deus. Ele sabe, pela sua consciência que Deus existe. Mas não conhece reconhecer o Deus verdadeiro. Desde a queda em pecado, somos inimigos do verdadeiro deus, cegos nas coisas espirituais. Assim, ao ser humano natural é impossível ter o verdadeiro temor e amor a Deus.
O verdadeiro temor a Deus é gerado pelo Espírito Santo que atua pela Palavra de Deus, pelo Batismo e Santa Ceia. Temor a Deus é fruto da verdadeira fé cristã.
Por isso Jesus disse a Nicodemos: “ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito.” (Jo 3.5).
Cornélio, centurião romano, teve fé no Deus verdadeiro. Sua fé brilhava através de sua vida. Ele amava seus subalternos, fazia caridade, confessava sua fé, lia a Escritura e orava continuamente. Deus ouviu as orações de Cornélio e pediu que ele buscasse o apóstolo Pedro. Para que assim pudesse ser informado sobre o cumprimento das promessas, a respeito de Jesus.
Pedro não queria ir, pois tinha uma visão limitada pelo judaísmo. Mas Deus lhe mostrou que ama a todos sem distinção de raça. E mostrou que ele ama a todos e quer que todos cheguem ao conhecimento da graça de Deus e sejam salvos.
Da fé verdadeira brota o temor a Deus.
Temor é conhecimento, profundo respeito ao Criador, Mantenedor, Salvador, Santificador. É amor, confiança, paz e alegria em Deus. Por isso Lutero explica o primeiro Mandamento assim: “Devemos temer e amar a Deus e confiar nele de todo o coração.” Isto só é possível ao renascido pelo poder do Espírito Santo, pela fé em Cristo. Porque o temer e amar a Deus não é resultado do esforço da pessoa, de decisões e propósito, mas é fruto da fé. Fruto não resulta de esforços, mas da vida.
Deus aceita todos que o temem e fazem o que é direito.
O que é fazer o que é direito?
É fazer as boas obras que procedem da fé. É o profundo amor a Deus. Não um amor imaginário, mas um verdadeiro apego e obediência aos mandamentos de Deus.
É aquele desejo sincero: “eu só quero pensar, falar, fazer e agir conforme a vontade de Deus.” Muitos têm este desejo, mas cumpri-lo só é possível à pessoa que permanece em contato diário com Deus através da leitura da Bíblia através da oração.
Se a pessoa não vigia sobre si mesma, seus pensamentos, vai acabar caindo. Se a pessoa não luta contra sua natureza carnal, crucificando-a diariamente (Gl 5.14,25), não permanecerá na fé, nem trará os frutos de justiça (Fp 1.11).
Cornélio tinha as obras, que eram frutos da sua fé.
Deus aceita todos que o temem e fazem o que é direito. Porque Jesus é o Senhor de todos.
Essa é uma excelente notícia: Deus não espera que nós o procuremos. Muito pelo contrário, Deus vem e nos anuncia a sua Palavra. Nos dá o Espírito Santo para termos a verdadeira fé e o verdadeiro temor a Deus. Nos santifica para que façamos o que é direito. E nos dá um Senhor maravilhoso que nos ama: Jesus Cristo.
Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todos aqueles que nele creem recebem perdão dos pecados.
Jesus Cristo é o Senhor de todos: Não existem outros deuses nem outras formas de culto. Não posso participar de cultos que não invocam claramente o Deus Triuno Pai Filho e Espírito Santo só pra agradar alguém.
Existe apenas um Deus que pode ser invocado em nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus, nosso único e suficiente Mediador entre Deus e os homens.
Deus se manifestou à humanidade em sua Palavra, a Bíblia. O verdadeiro culto a Deus, é guiado pela Palavra de Deus. Culto que não é firmado e orientado na Palavra de Deus é idolatria. A Bíblia é a verdade única e absoluta a respeito de Deus.
Jesus Cristo virá julgar vivos e mortos. Ele virá em glória, no dia do juízo final. Não sabemos quando será, mas é certo que virá. Só quem tiver crido na graça de Cristo será recebido por Cristo e convidado a entrar no reino que Deus preparou desde a fundação do mundo.
Deus aceita todos que o temem e fazem o que é direito. Porque Jesus é o Senhor de todos.
A pregação de Pedro na casa de Cornélio ensina que importa permanecermos fielmente apegados à Palavra de Deus. Ela nos mostra quem é o verdadeiro Deus e qual o verdadeiro culto. Mostra qual é a verdadeira fé e como esta atua por obras de amor. Qual a verdadeira esperança cristã.
Mostra que a fé cristã não é um simples sentimento ou conjunto de bons propósitos, mas realmente a nova vida operada através de Palavra e Sacramentos.
Como filhos de Deus não somos diplomatas de Deus, mas testemunhas e embaixadores que proclamam a Palavra de Deus, quer seja oportuno, quer não.
Jesus Cristo age em nós e através de nós. Ele ama a cada um de nós. Ele é nosso Salvador misericordioso. Ele
E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)