Pr. Jarbas Hoffimann

Próximo culto: Culto - sábado, 04 de julho às 19:00

Cristo não abandona o seu povo

Texto base: João 14.15-21

Textos do dia: Salmo 66.8-20; Atos 17.16-31; 1Pedro 3.13-22; João 14.15-21

Período: Tempo de Páscoa

Tempo: 6º Domingo de Páscoa

Ocasião: Dia das mães

Observação: Estes sermões foram escritos no decorrer de quase 30 anos, desde o Seminário, passando pelo pré-estágio, estágio e ministério pastoral, incluem sermões em espanhol. Mostram várias fases do desenvolvimento homilético do autor, bem como diversas situações da vida da igreja, seja nos cultos regulares, ou em eventos como congressos, entre outros. Muitos sermões no decorrer dos anos, não foram redigidos formalmente, tendo sido feitos diretamente da Bíblia, ou em tópicos, bem como sermões que foram escritos à mão e por isso não registrados digitalmente.

Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.

No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor e Teólogo Luterano

Graça e paz da parte do Senhor Jesus Cristo a todos vocês, amém.

Amados em Cristo, estamos vivendo tempos marcados pela sensação de abandono. Muitos se sentem abandonados pela política, pela sociedade, pelas instituições. Há idosos abandonados pela família. Jovens abandonados emocionalmente. Crianças crescendo sem referências. Pessoas cercadas de conexões digitais, mas profundamente solitárias. Nunca houve tanta comunicação e, ao mesmo tempo, tanta solidão. Há pessoas que entram em casa e a primeira coisa que fazem é ligar a televisão, o celular ou colocar um vídeo qualquer apenas para não ouvir o silêncio. Há medo de ficar sozinho consigo mesmo. E não é apenas uma sensação social. Muitas vezes o cristão também pergunta: “Deus ainda está comigo?” “Por que estou passando por isso?” “Será que fui esquecido?”

Foi justamente para discípulos assustados e inseguros que Jesus falou as palavras do Evangelho de hoje. Naquela noite, ele estava prestes a ser preso, julgado e crucificado. Os discípulos estavam abalados. Tudo parecia desmoronar. E então Jesus faz uma promessa extraordinária: “Eu não deixarei vocês abandonados” (Jo 14.18). Essa promessa continua sendo válida hoje. Cristo permanece com seu povo por meio do Espírito Santo Jesus sabia que os discípulos enfrentariam medo, perseguição e sofrimento. Por isso promete: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade” (Jo 14.16-17). A palavra usada para “Auxiliador” ou “Consolador” carrega a ideia de alguém chamado para ficar ao lado, ajudar, defender, fortalecer. O cristão nunca está sozinho de verdade. Mesmo quando o mundo parece caótico, o Senhor continua presente. Paulo experimenta isso em Atenas. A cidade estava cheia de ídolos (At 17.16). Havia filosofia, religião, cultura e conhecimento. Mas faltava o conhecimento do Deus verdadeiro. Curiosamente, o nosso tempo também está cheio de “altares”. Existe o altar do consumo. O altar da aparência. O altar da ideologia. O altar do prazer. O altar da autonomia absoluta do indivíduo. O altar da espiritualidade sem arrependimento. O altar do “eu faço minha própria verdade”. O altar do “meu corpo, minhas regras”...

Vivemos numa cultura que rejeita autoridade, inclusive a autoridade de Deus. E nisso aparece um detalhe importante do Evangelho de hoje. Jesus diz: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (Jo 14.15).

O amor cristão não é apenas sentimento religioso. É fé que produz vida. É confiança que produz obediência. A Confissão de Augsburgo, em seu Artigo VI, afirma que a fé verdadeira necessariamente produz boas obras. Não porque elas salvem, mas porque a fé viva produz frutos. Hoje existe uma religiosidade muito emocional, mas sem compromisso. Uma espiritualidade que fala de amor, mas rejeita a Palavra de Deus. Uma fé que quer consolo sem arrependimento. Mas Jesus une as duas coisas: amor e verdade; graça e transformação; fé e vida.

Ainda assim, os discípulos não conseguiriam permanecer firmes pela própria força. Por isso Cristo envia o Espírito Santo. Lutero escreve no Catecismo Menor, na explicação do Terceiro Artigo do Credo: “Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele; mas o Espírito Santo me chamou pelo Evangelho…”

É o Espírito quem sustenta a fé. É o Espírito quem consola. É o Espírito quem conduz a Igreja.

Cristo venceu a morte e garante nossa esperança Jesus continua: “Porque eu vivo, vocês também viverão” (Jo 14.19). Aqui está o centro da esperança cristã. Nossa esperança não depende das circunstâncias. Não depende da economia. Não depende da estabilidade emocional. Não depende da saúde perfeita. Ela depende de Cristo ressuscitado. Pedro escreve para cristãos perseguidos: “Cristo morreu uma vez por todas pelos pecados” (1Pe 3.18).

Eles sofriam. Alguns perderiam bens. Outros seriam rejeitados. Alguns enfrentariam prisão e morte. Mesmo assim, Pedro aponta para Cristo ressuscitado. O mundo moderno tenta esconder a morte. Mas ela continua presente. Temos hospitais lotados. Guerras. Violência. Doenças emocionais. Ansiedade crescente. Pessoas esgotadas psicologicamente. Depois da pandemia, muitos especialistas passaram a falar numa “epidemia de solidão”. Há países criando até ministérios para lidar com isolamento social. E em meio a isso Cristo diz: “Eu vivo.” Não é apenas uma ideia religiosa, nem uma metáfora ou poesia. O túmulo está realmente vazio. E nosso Cristo ressuscitado garante que o pecado foi perdoado e a culpa não precisa mais dominar. Porque a morte não tem a palavra final e o sofrimento não é eterno. O cristão pode enfrentar até a morte com esperança. Por isso o Salmo 66 convida: “Venham e vejam o que Deus tem feito” (Sl 66.5). Não tenha dúvidas, o Senhor continua agindo. Talvez não como você quer, com barulho e relâmpagos. Muitas vezes ele age silenciosamente e em meio às dores. E mesmo em meio às dores, ele não abandona o seu povo.

Talvez hoje, aqui, você esteja cansado. Talvez esteja com medo do futuro ou exista uma dor escondida que ninguém conhece. Mas o Senhor conhece. Ele sofreu a dor definitiva para que todas as nossas dores pudessem ser curadas por ele. E hoje Cristo novamente diz: “Eu não deixarei vocês abandonados.”

E semanalmente, aqui na igreja, ele vem ao nosso encontro na Palavra, na Santa Ceia e nos guia neste mundo caótico.

O mundo oferece muitos altares, muitas promessas e muitas vozes.

Mas somente Cristo venceu a morte. Somente Cristo pode dizer: “Porque eu vivo, vocês também viverão.” Por isso a Igreja continua se reunindo. Por isso, mesmo em meio a dores, continuaremos cantando, orando e esperando. Não porque sejamos fortes, mas porque Cristo permanece conosco. E ele prometeu: “Eu não deixarei vocês abandonados” E quem prometeu, Jesus, é fiel e cumpre todas as suas promessas. Então lembre-se: você não está só. Cristo te acompanha até seu último passo. Amém.

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