Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.
No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.
Pastor e Teólogo Luterano
Amados irmãos em Cristo, Jesus começa o texto de hoje, como se estivesse olhando em nossos olhos angustiados e ansiosos e diz: “Não fiquem aflitos” (Jo 14.1). Mas num mundo que gera tanta ansiedade, por que o Senhor diria tal coisa? E não é só o mundo atual que gera ansiedade. O viver traz dúvidas e medos. Então por quê? Jesus olha para nós e diz: “Não fiquem aflitos”? Porque ele sabe exatamente como é o coração humano. O meu e o seu. Um coração que se aflige com facilidade. Basta olhar ao nosso redor: • insegurança econômica • doenças • violência • incerteza sobre o futuro E ainda mais profundamente um coração que se angustia porque sabe que não tem qualquer controle sobre a vida e o quando ela pode durar, ou quando ela vai terminar.
Nos lembrando de onde depositar nossa confiança, o Salmo 146 diz: “Não confiem nos poderosos” (Sl 146.3). Mas nós confiamos. Achamos que se alguém tem muito dinheiro, essa pessoa pode nos ajudar. Achamos que quando um candidato aparece dizendo o que queremos ouvir, que agora resolveu-se o problema do país, do estado e do município. Achamos que se estamos bem de saúde, ainda teremos todo o tempo do mundo para aproveitar a vida e descansar mais tarde. Assim seguimos confiando em pessoas, estruturas e em nós mesmos. Mas quando isso falha, o coração desmorona. Porque colocou a confiança no lugar errado. A fé estava em algo que falha. E sempre falha. A história de Estêvão mostra algo impressionante para os olhos humanos. Enquanto muitos rejeitam a verdade, ele é acusado, permanece fiel, dá seu testemunho e é morto. Mesmo vendo tamanha fé, o texto de Atos 7.51 diz que o povo “resistiu ao Espírito Santo” (At 7.51). E isso também acontece conosco. Sabemos da verdade, ouvimos a Palavra, mas muitas vezes endurecemos o coração. E então vivemos aflitos, porque estamos longe da fonte da vida.
Mas Jesus não vem só para apontar problemas. Ele aponta pra solução. Ele diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Vocês conhecem pessoas assim? Que apontam os problemas? Elas pouco resolvem. Agora quem busca soluções, essas pessoas mudam o mundo. Apontar problemas, qualquer crítico inútil faz, mas buscar soluções, só os interessados farão. Jesus aponta a solução: Ele não diz: “Eu ensino o caminho.” Ele diz: “Eu sou o caminho.”
O problema da maioria dos cristãos atualmente não é a falta de informação. Temos informação até demais. O problema é a separação cada vez maior de Deus. Primeiro deixa de orar, deixa de ler a Palavra, deixa de vir à igreja e, por fim, perde a fé e passa a ser maldito, porque “maldito aquele que confia no homem”. Mas Cristo resolve isso. Pedro nos diz: “Vocês não eram povo, mas agora são povo de Deus” (1Pe 2.10). Como isso aconteceu? Pela morte de Cristo, que traz para nós a vitória. Como um Bom Pastor, ele nos coloca novamente em segurança. E por isso, confessamos com a verdadeira igreja cristã: somos justificados pela graça, por causa de Cristo, mediante a fé, e não por nossas obras. Mais do que isso! Além do perdão em Cristo, ainda somos feitos parte da construção de Deus que diz: “Vocês são pedras vivas” (1Pe 2.5). O que Deus está construindo é algo eterno e pela fé, nós fazemos parte disso. Pense em alguém construindo uma casa. Cada pedra parece pequena, insignificante. Mas na mão do construtor, ela tem lugar e propósito. E assim somos nós. Sozinhos, somos frágeis. Em Cristo, parte de algo eterno. Perceber que fazemos parte do Povo de Deus, que está sendo usado como pedra viva, a transformação será visível em nossa vida. • Nosso coração aflito encontra descanso. • A insegurança e o medo dão lugar à confiança. • A solidão se transforma em pertencimento.
E até diante da morte, como aconteceu com Estêvão, nós podemos confiar. Porque sabemos: Jesus foi nos preparar lugar.
Irmãos, Jesus nunca prometeu ausência de problemas. Mas ele prometeu algo maior: “Vou preparar um lugar para vocês” (Jo 14.2). E enquanto caminhamos, ele é o caminho. Por isso, mesmo em meio às aflições, podemos dizer: • Não estamos perdidos. • Não estamos sozinhos. • Não estamos sem esperança. Porque estamos em Cristo. E em Cristo, mesmo ainda caminhando sobre esta terra, nossos pés já descansam no solo da morada eterna. Amém.