Pr. Jarbas Hoffimann

Próximo culto: Culto - sábado, 04 de julho às 19:00

Corações afllitos e um caminho seguro

Texto base: Joao 14.1-14

Textos do dia: Salmo 146; Atos 6.1-9; 7.2a,51-60; 1Pedro 2.2-10; João 14.1-14

Período: Tempo de Páscoa

Tempo: 5º Domingo de Páscoa

Ocasião: Culto regular

Observação: Estes sermões foram escritos no decorrer de quase 30 anos, desde o Seminário, passando pelo pré-estágio, estágio e ministério pastoral, incluem sermões em espanhol. Mostram várias fases do desenvolvimento homilético do autor, bem como diversas situações da vida da igreja, seja nos cultos regulares, ou em eventos como congressos, entre outros. Muitos sermões no decorrer dos anos, não foram redigidos formalmente, tendo sido feitos diretamente da Bíblia, ou em tópicos, bem como sermões que foram escritos à mão e por isso não registrados digitalmente.

Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.

No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor e Teólogo Luterano

Amados irmãos em Cristo, Jesus começa o texto de hoje, como se estivesse olhando em nossos olhos angustiados e ansiosos e diz: “Não fiquem aflitos” (Jo 14.1). Mas num mundo que gera tanta ansiedade, por que o Senhor diria tal coisa? E não é só o mundo atual que gera ansiedade. O viver traz dúvidas e medos. Então por quê? Jesus olha para nós e diz: “Não fiquem aflitos”? Porque ele sabe exatamente como é o coração humano. O meu e o seu. Um coração que se aflige com facilidade. Basta olhar ao nosso redor: • insegurança econômica • doenças • violência • incerteza sobre o futuro E ainda mais profundamente um coração que se angustia porque sabe que não tem qualquer controle sobre a vida e o quando ela pode durar, ou quando ela vai terminar.

Nos lembrando de onde depositar nossa confiança, o Salmo 146 diz: “Não confiem nos poderosos” (Sl 146.3). Mas nós confiamos. Achamos que se alguém tem muito dinheiro, essa pessoa pode nos ajudar. Achamos que quando um candidato aparece dizendo o que queremos ouvir, que agora resolveu-se o problema do país, do estado e do município. Achamos que se estamos bem de saúde, ainda teremos todo o tempo do mundo para aproveitar a vida e descansar mais tarde. Assim seguimos confiando em pessoas, estruturas e em nós mesmos. Mas quando isso falha, o coração desmorona. Porque colocou a confiança no lugar errado. A fé estava em algo que falha. E sempre falha. A história de Estêvão mostra algo impressionante para os olhos humanos. Enquanto muitos rejeitam a verdade, ele é acusado, permanece fiel, dá seu testemunho e é morto. Mesmo vendo tamanha fé, o texto de Atos 7.51 diz que o povo “resistiu ao Espírito Santo” (At 7.51). E isso também acontece conosco. Sabemos da verdade, ouvimos a Palavra, mas muitas vezes endurecemos o coração. E então vivemos aflitos, porque estamos longe da fonte da vida.

Mas Jesus não vem só para apontar problemas. Ele aponta pra solução. Ele diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Vocês conhecem pessoas assim? Que apontam os problemas? Elas pouco resolvem. Agora quem busca soluções, essas pessoas mudam o mundo. Apontar problemas, qualquer crítico inútil faz, mas buscar soluções, só os interessados farão. Jesus aponta a solução: Ele não diz: “Eu ensino o caminho.” Ele diz: “Eu sou o caminho.”

O problema da maioria dos cristãos atualmente não é a falta de informação. Temos informação até demais. O problema é a separação cada vez maior de Deus. Primeiro deixa de orar, deixa de ler a Palavra, deixa de vir à igreja e, por fim, perde a fé e passa a ser maldito, porque “maldito aquele que confia no homem”. Mas Cristo resolve isso. Pedro nos diz: “Vocês não eram povo, mas agora são povo de Deus” (1Pe 2.10). Como isso aconteceu? Pela morte de Cristo, que traz para nós a vitória. Como um Bom Pastor, ele nos coloca novamente em segurança. E por isso, confessamos com a verdadeira igreja cristã: somos justificados pela graça, por causa de Cristo, mediante a fé, e não por nossas obras. Mais do que isso! Além do perdão em Cristo, ainda somos feitos parte da construção de Deus que diz: “Vocês são pedras vivas” (1Pe 2.5). O que Deus está construindo é algo eterno e pela fé, nós fazemos parte disso. Pense em alguém construindo uma casa. Cada pedra parece pequena, insignificante. Mas na mão do construtor, ela tem lugar e propósito. E assim somos nós. Sozinhos, somos frágeis. Em Cristo, parte de algo eterno. Perceber que fazemos parte do Povo de Deus, que está sendo usado como pedra viva, a transformação será visível em nossa vida. • Nosso coração aflito encontra descanso. • A insegurança e o medo dão lugar à confiança. • A solidão se transforma em pertencimento.

E até diante da morte, como aconteceu com Estêvão, nós podemos confiar. Porque sabemos: Jesus foi nos preparar lugar.

Irmãos, Jesus nunca prometeu ausência de problemas. Mas ele prometeu algo maior: “Vou preparar um lugar para vocês” (Jo 14.2). E enquanto caminhamos, ele é o caminho. Por isso, mesmo em meio às aflições, podemos dizer: • Não estamos perdidos. • Não estamos sozinhos. • Não estamos sem esperança. Porque estamos em Cristo. E em Cristo, mesmo ainda caminhando sobre esta terra, nossos pés já descansam no solo da morada eterna. Amém.

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