Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.
No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.
Pastor e Teólogo Luterano
A paz do Senhor esteja com todos vocês.
P.: O Senhor ressuscitou e vive. C.: Ele realmente ressuscitou. Aleluia!
Quando fui preparar esta pregação, me deparei com algo que me diz muito sobre o ministério e que está no texto de João. João, capítulo 14, versículos 1 a 14.
E como hoje é um dia todo especial para a Paróquia Concórdia, que recebe, de fato e de direito, seu novo pastor, foi muito bom que este texto estivesse presente entre as leituras de hoje. Aliás, que leituras fantásticas temos neste fim de semana!
Mas vamos ficar com o texto de João. E fazer alguns destaques quanto ao ministério pastoral. Versículo 5: “Então Tomé perguntou: Senhor, nós não sabemos aonde é que o senhor vai. Como podemos saber o caminho?”
Aqui não é a pergunta de um pastor ao bispo, ou ao presidente da Igreja. Aqui é a pergunta de um membro ao seu pastor. Porque nesse momento, Jesus é o pastor de sua congregação de discípulos. E Tomé, um dos membros com mais dúvidas. Dúvidas que permaneceram até depois da ressurreição de Jesus. Lembram que ele não acreditou antes de ver Jesus?
Em alguns momentos é bom ter dúvidas. Por exemplo: Quando alguém nos apresenta alguma “novidade” de como seguir a Jesus... Aí é bom ter dúvidas. Quando alguém inventa um jeito novo de louvar ao Senhor e, como um animal, sai rastejando pelo palco, aí é bom ter dúvidas. Quando alguém fala que aquilo que eu ouvi desde criança, a respeito da salvação, não está certo, é bom ter dúvida.
E, se por um lado, de vez em quando é bom ter dúvida, por outro lado, não é bom ficar com a dúvida. E é isso que Tomé faz. Ele tira as dúvidas: “Senhor, nós não sabemos aonde é que o senhor vai. Como podemos saber o caminho?” (Jo 14.5)
E como um bom pastor, Jesus responde e aponta um caminho que eles já conheciam, mas não tinham percebido ainda.
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim.” (Jo 14.6)
Dúvida resolvida. O pastor Jesus, apontou para a salvação, como ele faz com cada um de nós.
Aí! Quando o primeiro curioso perguntou, outro teve coragem também. “Filipe disse a Jesus: Senhor, mostre-nos o Pai, e assim não precisaremos de mais nada.” (Jo 14.8)
Não é assim que muitas vezes acontece em nossos estudos bíblicos? O pastor ou o líder, faz uma pergunta e demora um pouquinho até alguém tomar coragem de responder... Quando este primeiro responde, normalmente, muitos outros o acompanham. Os outros também tinham dúvidas, mas não tinham coragem de perguntar.
Cada vez que uma igreja fica sem pastor, ela tende a ficar cheia de dúvidas. Se o pastor está presente, sabemos onde recorrer, para responder às nossas dúvidas. Não quero dizer que só o pastor é que sabe das coisas. Há muitos leigos fieis que sabem tanto ou mais que muitos pastores. Mas, por suas outras responsabilidades na vida, acabam não tendo muito tempo para esclarecer as dúvidas dos outros. Já o pastor, vocacionado, preparado, chamado e instalado, deveria se dedicar exclusivamente à sua congregação. Ainda mais se é pastor de tempo integral. Pois foi chamado somente para cuidar do povo de Deus.
Hoje, há muitas congregações em dúvida. Em algumas, não há pastores. Em outras, os pastores que ali estão, não cumprem com sua tarefa ministerial e acabam trazendo sofrimento para si mesmos e para as congregações. E, às vezes, o Senhor tira os pastores da igreja, para que a Igreja sinta a falta que fazem aqueles que o Pai colocou, para liderar o povo de Deus.
E os pastores fiéis ao santo ministério, algumas vezes precisam ser mais incisivos em suas exortações. Vejam como Jesus respondeu a Filipe: “Faz tanto tempo que estou com vocês, Filipe, e você ainda não me conhece? Quem me vê vê também o Pai. Por que é que você diz ‘Mostre-nos o Pai’?” (Jo 14.9)
Jesus parece estar um pouco decepcionado com Filipe. Dia após dia, Jesus conviveu com eles. Dia após dia, puderam ouvir Jesus falar da Palavra de Deus, fazer os milagres que Deus... Mesmo assim, Filipe ainda não tinha entendido que Jesus e o Pai eram um...
Assim, imaginem a tristeza de um pastor, que passa dia após dia falando do amor de Jesus... Falando pra tomar cuidado e vigiar, para não perder a fé... Mas muitos, simplesmente ignoram o que ouvem. Preferem outra coisa, ou preferem deixar para depois.
Queridos irmãos. Estamos vivendo tempos difíceis. E pra mim, são os tempos do fim. Não sei quando ainda dura, mas ninguém sabe, porém, são os tempos do fim. O amor está esfriando. As pessoas estão se recolhendo a si mesmas e esquecendo o próximo. Nem pastores conseguimos formar mais, porque as vocações estão diminuindo ano após ano. Pastores já formados estão deixando o ministério, porque não aguentam mais. Nesta semana fiz uma pesquisa e, dos colegas que responderam, 60% disse que está numa fase muito difícil de sua vida...
Nosso distrito e esta paróquia são um exemplo destes tempos de poucas vocações. Sem julgar ninguém, é hora de aprender com o que já passou.
Esta paróquia, pouco tempo atrás, tinha 3 pastores, de repente, 2, depois um e, por fim, nenhum... Lembro de quantas dúvidas pairavam no início do processo de chamado. Lembro que aqui, em um dos primeiros cultos que participei, incentivei que a paróquia esquecesse possíveis desavenças e se unisse em oração. Não sei se todos fizeram, mas acredito que muitos oraram. Prova disso é que o senhor achou por bem, trazer para o meio de vocês seu novo pastor, que hoje é instalado. Nosso distrito (e IELB) estão vivendo um momento de intensa mudança no quadro de seus pastores. Quando chega um, outro vai embora. Porque em outros lugares, também estão faltando pastores. E isso só vai piorar nos próximos anos.
O pastor é o guia da congregação. Ele não pode abrir mão disso. Se o fizer, estará sendo infiel ao seu chamado e não é mais digno de ser pastor. Mas o pastor precisa de cada uma das pessoas que lhe foram confiadas por Deus.
Então, irmãos... Agradeçam a Deus por escolher, preparar e enviar pastores. Cuidem de seus pastores. Muitos estão sofrendo. Não vejam no pastor um inimigo ou um adversário. Vejam nele, um ser humano, que carrega, muitas vezes, a carga de ter que apontar a salvação a muitas pessoas. E é uma carga difícil, quando as pessoas não querem mais saber de Deus ou da Igreja...
Orem por seus pastores. Ajudem no trabalho. Se disponham para ser da diretoria, líderes de estudo bíblico, visitadores, professores de escola bíblica... Vejam que exemplo bonito temos em At 6 e 7: uma igreja viva, com uma liderança disposta a trabalhar. O trabalho não é do pastor. Os membros não são ajudantes. O trabalho é da Igreja de Cristo.
O trabalho do pastor é estar junto com a igreja, buscando apontar para Jesus, mesmo que, às vezes, precise dizer palavras duras. E quando o pastor diz palavras duras, o faz como um pai que vê seu filho correndo para o precipício, consegue pará-lo, agarra o menino pelos ombros e chacoalhando, briga com ele... Passado o susto, ambos chorando; o pai o abraça e o filho entende que o pai o ama.
Assim o Senhor da Igreja, olha para nós com amor e carinho. Manda pastores para serem testemunhas fiéis. E chama os membros para testemunharem também. Tendo a honra de participar na salvação de muitos.
Orem pela igreja. Orem por seus pastores. Afinal: “quem crê em mim fará as coisas que eu faço e até maiores do que estas, pois eu vou para o meu Pai. E tudo o que vocês pedirem em meu nome eu farei, a fim de que o Filho revele a natureza gloriosa do Pai. Eu farei qualquer coisa que vocês me pedirem em meu nome.” (Jo 14.12-14)
Amém.