Pr. Jarbas Hoffimann

Próximo culto: Culto - sábado, 04 de julho às 19:00

Salvos pela fé, movidos às boas obras

Texto base: Mateus 7.15-29

Textos do dia: Salmo 4; Deuteronômio 11.18-21,26-28; Romanos 3.21-25a,27-28; Mateus 7.15-29

Período: Tempo da Igreja

Tempo: 2º Domingo após Pentecostes

Ocasião: Culto regular

Observação: Estes sermões foram escritos no decorrer de quase 30 anos, desde o Seminário, passando pelo pré-estágio, estágio e ministério pastoral, incluem sermões em espanhol. Mostram várias fases do desenvolvimento homilético do autor, bem como diversas situações da vida da igreja, seja nos cultos regulares, ou em eventos como congressos, entre outros. Muitos sermões no decorrer dos anos, não foram redigidos formalmente, tendo sido feitos diretamente da Bíblia, ou em tópicos, bem como sermões que foram escritos à mão e por isso não registrados digitalmente.

Alguns sermões foram revisados e pregados em lugares diferentes e anos posteriores, mas ambas as versões estão aqui arquivadas, porque isto acontece com muita frequência, por exemplo, com um pastor que prega em 3, 5 ou 7 congregações e neles prega sempre o sermão do final de semana, que por obvio, na entrega verbal, tende a diferir em detalhes. A menos que o pregador seja extremamente rígido e preso ao papel e sua escrita e somente leia o sermão.

No que tange às Trienais, é bom considerar que em 2009 a IELB alterou vários textos, por isso textos que fazem referência a um determinado domingo, podem não corresponder às Trienais atuais.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor e Teólogo Luterano

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Abençoa a sementeira neste pobre coração. Sara a natural cegueira, dá-me reta compreensão. Tudo quanto irei ouvir, frutos faze produzir.

Além da melodia muito bonita, este hino que nós acabamos de cantar tem uma letra riquíssima. Ele fala exatamente do que nós queremos falar hoje: o cristão faz boas obras. Nós somos cristãos; portanto, fazemos boas obras, ou, como o texto do Evangelho diz, nós somos a “árvore boa que dá frutas boas”. Mas, além de saber que nós, como cristãos, fazemos boas obras, nós também queremos entender por que as fazemos.

Quando falamos em fazer boas obras, parece que queremos dizer que seremos salvos por causa dessas boas obras. Mas isso não é verdade. Nós não fazemos boas obras para sermos salvos. Nós as fazemos porque já somos salvos. E é essa a confusão que alguns fazem. Algumas pessoas dizem que farão isso ou aquilo para serem boas diante de Deus.

Ser, por si mesmo, bom diante de Deus é impossível. Nada que nós façamos ou deixemos de fazer para ter a salvação nos salvará. Nós não conseguimos salvar a nós mesmos. Por isso Cristo nos salvou. E é porque Cristo nos salvou, e fez tudo o que precisava ser feito para nos salvar, que nós fazemos boas obras.

Em resumo: nós fazemos boas obras em gratidão pela salvação que Cristo nos alcançou.

Cristo morreu e nos salvou. Ele cumpriu a Lei que nós não conseguimos cumprir. Nós somos infinitamente gratos por isso, porque nós não chegaríamos nunca a Deus se ele não tivesse vindo até nós.

Como exemplo da nossa incapacidade, podemos citar alguns mandamentos:

O Primeiro Mandamento diz:

Eu sou o Senhor, teu Deus. Não terás outros deuses diante de mim.

Qual é realmente o nosso Deus? A quem recorremos? Em que acreditamos?

Já foi dito por alguém que, se você quiser saber qual é seu Deus, deve prestar atenção aos momentos de maior dificuldade.

Num caso de doença, em quem você coloca sua confiança? No dinheiro que pode pagar qualquer médico e qualquer hospital? Ou em Deus, que, se quiser, recupera a pessoa ou a leva para junto de si?

O Segundo Mandamento:

Não tomarás em vão o nome do Senhor, teu Deus, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

Nós não tomamos o nome de Deus em vão. Ou tomamos?

“Eu juro por Deus!”
“Pelo amor de Deus!”
“Meu Deus do céu, que lugar bonito!”

Nós não conseguimos cumprir nenhum dos mandamentos sem o auxílio de Deus.

E, sem Deus, nossas obras também não são nada boas.

Vejamos ainda o Sétimo Mandamento:

Não furtarás.

“Mas, pastor, eu não furto. Eu nunca roubei nada de ninguém.”

Será que não?

Quem de nós nunca andou de ônibus aqui em São Paulo?

Muito bem. Mesmo os que não andaram sabem que em cada ônibus existe um profissional trabalhando só para receber o valor da passagem. Vocês já pararam para olhar quanta gente passa por baixo da catraca?

Numa viagem de mais ou menos uma hora, cerca de dez pessoas não pagam. Essas pessoas estão deixando de pagar ou roubando dos donos das empresas?

Com os passes magnéticos, a situação ficou ainda pior. Na mesma viagem de uma hora, cerca de cinquenta pessoas pulam a catraca.

“A gente tem que pular mesmo. Eles mandaram um monte de cobradores embora, deixaram muita gente desempregada.”

Será que isso justifica? Será que isso é ou não é roubo?

A explicação de Martinho Lutero para o Sétimo Mandamento esclarece quando diz:

“Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não tirar ao nosso próximo o dinheiro ou os bens, nem nos apoderar deles por meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos; mas devemos ajudá-lo a melhorar e conservar os seus bens e o seu meio de vida.”

Nós conseguimos cumprir esses mandamentos?

Por nós mesmos, não.

E não cumprimos nenhum dos Dez Mandamentos. Se Deus não tivesse enviado Jesus Cristo para nos salvar, nós nunca chegaríamos ao céu.

Por isso o cristão é uma árvore boa que produz bons frutos, porque ele é grato por já ter a salvação.

A alegria é tanta que o cristão não consegue ver o mundo à sua volta e não fazer nada. Não consegue viver sem amar e ajudar ao próximo.

Então: nós somos gratos e fazemos as obras porque somos salvos. Não fazemos boas obras para sermos salvos. Cristo nos salvou.

O cristão faz boas obras.

Nós produzimos bons frutos porque somos gratos pela salvação, isso está claro. Mas por que mais nós produzimos frutos?

Produzimos frutos porque temos fé. A fé que salva. A fé em Cristo, que fez tudo o que nós nunca conseguiríamos fazer. Cumpriu todas as leis em nosso lugar.

O nosso texto ainda nos manda tomar cuidado com os falsos profetas:

“Eles vêm disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos selvagens.” (Mt 7.15).

Esse aviso é tão importante que é dado muitas vezes na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Podemos ver esse aviso em Deuteronômio, Jeremias, Miqueias, Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos, Romanos, Efésios, Colossenses, 2Pedro, 1João e Apocalipse.

Será que um aviso dado com tanta insistência pode ser ignorado?

É claro que não.

Mas nós precisamos saber quem são esses falsos profetas para podermos ficar longe deles.

Como diz 1João 4.1:

“Não acreditem em todos os que dizem que têm o Espírito de Deus. Ponham à prova essas pessoas para saber se o espírito que elas têm vem mesmo de Deus, pois muitos falsos profetas já se espalharam pelo mundo inteiro.”

Nós colocamos essas pessoas à prova pela Palavra de Deus. A Bíblia sempre tem os instrumentos certos para medir se alguém é de Deus ou do Diabo.

Os falsos profetas estão tão presentes no nosso dia a dia que nós nem percebemos que eles estão querendo tomar o lugar de Cristo. O nosso país está cheio de falsos profetas.

Quem nunca viu um chaveirinho ou uma pequena estátua de Buda? Só para citar um dos mais comuns aqui em São Paulo.

Seus simpatizantes dizem:

“Buda foi um cara especial, foi uma pessoa iluminada, ele só queria o bem.”

Isso é verdade. Mas Buda queria o bem confiando em obras próprias. O sujeito confia em si mesmo, faz o bem e pronto, cumpriu sua finalidade na terra.

E depois da morte, o que será de tal pessoa?

Cristo não existe nessa filosofia budista, e, quando existe, é apenas mais um profeta. Tão bom quanto Buda.

Precisamos realmente tomar cuidado com profetas como esses e muitos outros. Especialmente agora que estamos nos aproximando do fim do milênio. Ano que vem é o último ano deste século e também do milênio. Muitos estudiosos estão prevendo grande confusão. Pessoas esperando o fim do mundo. Falsos profetas se aproveitando disso para levar mais dinheiro para si e mais pessoas para o inferno. Precisamos realmente ter muito cuidado!

Mas, continuando no nosso texto, a partir da segunda metade do versículo 16, nós temos a comparação dos falsos profetas com uma árvore. Essa comparação deixa claro que cristãos verdadeiros produzem obras boas, frutas boas. Mas os falsos profetas produzem obras más. São as árvores más.

Essa figura, a árvore, também é usada por Cristo em uma parábola para falar do cristão. Para falar de nós.

O texto de Lucas 13.6-9 diz:

“Certo homem tinha uma figueira na sua plantação de uvas. E, quando foi procurar figos, não encontrou nada. Aí disse ao homem que tomava conta da plantação: ‘Olhe, já faz três anos seguidos que venho buscar figos nesta figueira e não encontro nada. Corte esta figueira! Por que deixá-la continuar ocupando o terreno sem produzir nada?’ Mas o empregado respondeu: ‘Patrão, deixe a figueira ainda este ano. Eu vou cavar em volta dela e pôr bastante adubo. Se no ano que vem ela der figos, muito bem. Se não der, o senhor pode mandar cortar.’”

Sempre é tempo de nós fazermos boas obras, ajudarmos nossos amigos, nossos vizinhos, nosso irmão na fé.

E a Bíblia adverte em Mateus 3.10:

“O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda árvore que não dá boa fruta será cortada e jogada no fogo.”

Esse fogo é o inferno, a morte eterna.

O cristão faz boas obras.

Por que faz boas obras?

Porque tem fé em Cristo.

No texto do Antigo Testamento para o dia de hoje, Deus manda guardar os seus mandamentos, cumprir as suas leis. Ele promete bênçãos para quem os cumprir e maldição para quem não cumprir.

Nós vimos antes que, por nós mesmos, não conseguimos cumprir nem um dos mandamentos.

Então por que Deus faz uma promessa dessas, se ele sabe que nós não vamos cumprir seus mandamentos?

O texto de Romanos responde:

“Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo.” (Rm 3.22)

E ainda:

“Devemos, então, nos orgulhar por isso? De jeito nenhum! E por que não? Será que é porque obedecemos à Lei? Não, não é. É porque cremos em Cristo. Assim vemos que a pessoa é aceita por Deus pela fé e não por fazer o que a Lei manda.” (Rm 3.27-28)

“Ah! Se é assim, para que eu vou fazer alguma coisa? Deus fez tudo. Eu só preciso crer para ser salvo.”

Será que isso é cristianismo de verdade?

Será que o cristão consegue viver sem ajudar os outros?

Tiago disse:

“Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem ação (sem obras) está morta.” (Tg 2.26)

O cristão faz boas obras.

Faz por causa da fé que tem em Cristo, que não o deixa inerte diante do seu próximo.

As obras de uma pessoa sem Cristo são bem conhecidas. São elas:

“Imoralidade, impureza, ações indecentes, adoração de ídolos, feitiçarias, inimizades, brigas, ciumeiras, acessos de raiva, ambição egoísta, desunião, paixão partidária, invejas, bebedeiras, farras e outras coisas parecidas com essas... os que fazem essas coisas não herdarão o Reino de Deus.” (Gl 5.19-21)

Algumas das boas obras que o Espírito Santo produz no cristão são:

“Amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade e domínio próprio. E contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a sua própria natureza humana, junto com todas as suas paixões e desejos.” (Gl 5.22-24)

O cristão faz boas obras.

Por que nós fazemos boas obras?

Primeiro, por gratidão, pois já temos nossa salvação.

Segundo, porque temos fé que Cristo nos salvou. Isso nos move a amar nosso próximo e a fazer boas obras.

Amém.

0 curtidas